Intro

Bem-Vindo ao site do Laboratório de Estudos Migratórios da Universidade Federal de São Carlos. Aqui você encontra as principais informações sobre as nossas pesquisas.

O LEM é um laboratório de pesquisa organizado e coordenado por Igor José de Renó Machado, a partir do grupo de pesquisa Antropologia das Migrações, cadastrado no CNPq.

Ativo desde 2006, o LEM desenvolve pesquisas que lidam com o deslocamento e mobilidade, em termos amplos e bastante flexíveis. Pesquisas que relacionam parentesco e deslocamento têm especial destaque, assim como uma preocupação com as regulações estatais da diferença, nesse caso trabalhando a partir de textos legislativos.

Atualmente, temos três núcleos de trabalhos em desenvolvimento: o núcleo de estudos japoneses, com alunos que se dedicam ao tema da presença japonesa no Brasil e brasileira no Japão; o núcleo de estudos de deslocamentos, centrado atualmente na questão dos refugiados no Brasil e, por fim, o núcleo de estudos das regulações estatais da diferença, preocupado com a relação do Estado com a diferença e com os deslocamentos relacionados a ela.

Igor Machado

Pesquisa Bolsa de Produtividade CNPq

2024-2027

Precarização e interseccionalidades entre imigrantes brasileiros/as na Irlanda

Esta solicitação de renovação de bolsa produtividade refere-se ao sétimo triênio como
pesquisador bolsista do CNPq. Continuando a trajetória voltada à pesquisa sobre migrações e deslocamentos, tomo como objeto a emigração brasileira. Essa proposta é a continuação do projeto anterior, também preocupado com o tema da imigração brasileira na Irlanda. Entretanto, o período prévio de pesquisa foi prejudicado pela pandemia do Covid 19, que implicou num atraso do cronograma, uma vez que o trabalho de campo, previsto inicialmente para o ano de 2020, só pode ser realizado em 2022, dadas as restrições sanitárias ao deslocamento. Assim, é apenas no presente momento em que posso desenvolver as questões elencadas no projeto anterior, além de propor novos enfoques já baseados no trabalho de campo realizado no primeiro semestre do ano passado.

Durante esse período de impossibilidade de levar adiante o projeto anterior, dediquei-
me a terminar alguns projetos intelectuais que estavam em compasso de espera. Assim, se a pandemia impediu o desenvolvimento a contento de um projeto, ela permitiu o desenvolvimento de outros que não dependiam de um trabalho de campo naquele momento. Durante o período da bolsa atualmente vigente (2021-2023) publiquei a terceira edição atualizada de um livro didático de sociologia para o ensino médio ( Sociologia Hoje, editora Ática), depois um livro didático de antropologia para o ensino superior ( Introdução à Antropologia, editora Contexto) e, por fim, um livro sobre antropologia da memória ( A Memória Como Um Campo Etnográfico: Antropologia Ex Post Facto), recém-lançado pela editora Papeis Selvagens. Além disso publiquei também artigos e capítulos de livros. Durante esse período também produzi um livro sobre legislações de migração no Brasil ( O Estrangeiro e a Diferença nas Leis de Migração), que atualmente se encontra em análise na Editora da UFSCar. Dessa forma, os esforços de pesquisa do último triênio foram concentrados na produção desses quatro livros (três deles já publicados).

Em 2022 foi possível fazer o trabalho de campo com os brasileiros na Irlanda e desde
então tenho me dedicado a desenvolver essa pesquisa. Se no projeto anterior a preocupação central girava em torno da especificidade da imigração brasileira na Irlanda, num cenário de transformação legislativa em meio aos efeitos do Brexit, com a hipótese de que o país seria um lugar privilegiado de migração em função da possibilidade de acesso tanto à União Europeia quanto ao UK – por conta dos acordos migratórios derivados do Brexit – vimos em campo que essa era uma questão pouco relevante, frente a duas outras questões que pretendo explorar com mais cuidado com esse projeto: em primeiro lugar, a relevância que políticas migratórias de facilitação de acesso ao país têm na configuração de uma experiência migratória ao mesmo tempo legal e precária, como é o caso dos brasileiros com visto de estudo na Irlanda e, em segundo lugar, as questões evidentes de interseccionalidade nos fluxos e na experiência de vida do/as brasileiro/as na Irlanda.

Pesquisas em andamento

Mestrado

Guilherme Lima

Retornando da China: Migração Brasileira entre Dongguan e Vale dos Sinos

O projeto busca analisar a migração de retorno de brasileiros da China, especificamente da cidade de Dongguan, no sul do país asiático. Oriunda da indústria coureiro-calçadista do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, a imigração brasileira para a China tem início na década de 1990 a partir do fechamento de fábricas brasileiras, resultado das crises do setor. A comunidade brasileira em Dongguan manteve-se estável até 2020, ano da pandemia de COVID-19. Com as políticas sanitárias de confinamento e demissões em massa, muitos brasileiros retornaram de Dongguan. Pretendemos refletir, a partir do trabalho de campo, sobre as dimensões do retorno e seu impacto na vida dos migrantes brasileiros, sobretudo através de relatos sobre o tempo vivido na China e os contornos da construção da diferença no país asiático, tal como os estranhamentos e familiaridades no retorno ao país de origem. Além disso, de modo a situá-lo, será preciso articular o processo migratório em questão ao campo teórico-conceitual da antropologia da migração e examinar a historicidade da região do Vale do Rio dos Sinos e sua inserção no mercado coureiro-calçadista nacional e internacional e, finalmente, avaliar a competitividade dos mercados chineses e seu impacto na indústria coureiro-calçadista brasileira.

Letícia de Lucca Torres

Badr Abou

Doutorado

Bruna Mendonça