Alexandra Cristina Gomes de Almeida (mestrado) – O Caso de Jean Charles Menezes sob a perspectiva brasileira: Uma Etnografia em Gonzaga (MG)

Este projeto pretende analisar o fenômeno da emigração internacional no município mineiro de Gonzaga, interior de Minas Gerais (Região Vale do Rio Doce). A região ganhou repercussão internacional através de um dos cidadãos dessa cidade, o brasileiro Jean Charles Menezes, o qual foi assassinato numa estação de metrô em Londres, na Inglaterra, depois da polícia britânica o ter confundido com um suposto terrorista. O município de Gonzaga localiza-se no Vale do Rio Doce em Minas Gerais e uma característica do local é o intenso movimento emigratório da população para o exterior, embora não haja nenhum estudo sobre este fenômeno na região, somente pesquisas produzidas na cidade de Governador Valadares. Em síntese este projeto propõe, a partir de uma visão antropológica, relatar as mudanças ocasionadas na dinâmica social da cidade de Gonzaga. Em outras palavras, entender as alterações provocadas nesta sociedade a partir da interferência no fluxo migratório após a cidade receber tamanha visibilidade mundial perante o caso de Jean Charles, além de pautar e compreender as possíveis transformações ou continuidades do contingente emigrante dos cidadãos de Gonzaga.

Amanda Fernandes Guerreiro (IC) – Os filhos da migração transnacional: novas estruturas familiares e a educação das crianças na região de Governador Valadares

Esta análise busca—a partir do desenvolvimento de outros projetos1 sobre a migração transnacional na região de Governador Valadares, leste de Minas Gerais—abarcar a problemática que trata das famílias inseridas neste fenômeno e, mais do que isso, busca entender quais são os efeitos e desdobramentos da experiência migratória na vida das crianças, filhas dos emigrantes, que assumem uma nova configuração com a ida de seus pais2 para o exterior. Questões sobre: como são educadas, como vivenciam a experiência precoce da separação por longos períodos, como vivem as expectativas de também imigrar, como imaginam sua própria família, o que desejam como projeto familiar próprio—orientam este projeto. A cidade de Governador Valadares foi escolhida como lugar da análise, pois conta com um histórico de migrações transnacionais que permeia toda a sua história.

Fábio Stabelini (mestrado) – As implicações da ausência: produção do parentesco na casa emigrante.

Os fluxos migratórios realizados em Governador Valadares promovem alterações estruturais na sociedade em questão. São essas mudanças, principalmente no âmbito da instituição familiar, que moldam o objeto desse projeto de pesquisa, vinculando as transformações desencadeadas pelo processo de migração às noções de parentesco. Para as famílias envolvidas no processo de migração, o parentesco é reordenado, uma vez que, com a ausência de um membro do núcleo familiar, cessam os contatos físicos e imediatos. Segundo Machado (2006), o envio de remessas de dinheiro do exterior assume relevância no contexto familiar, sendo que esse envio atua como substituto formal das relações de parentesco local. Para além dessa análise, a fim de entendermos as implicações causadas pelos processos migratórios no cotidiano das famílias envolvidas, voltamos o nosso olhar para a casa, tida por muitos emigrantes como justificativa principal para a empreitada. A casa, como espaço de construção das relações, merecerá atenção especial dessa proposta na medida em que é nela que a família assegura e expõe sua continuidade.  Busca-se assim vislumbrar as representações do parentesco que emergem na ausência e no retorno do membro da família que se aventura fora do país.

Flora Guimarães Serra (IC) - O fenômeno da emigração em Governador Valadares: aspectos da saúde das mulheres-esposas – vítimas da emigração?

Aspectos relacionados ao tratamento médico e à concepção de saúde e doença das mulheres-esposas de imigrantes em Governador Valadares foram os alvos centrais dessa esquisa. A intenção é refletir sobre o impacto da imigração sobre a percepção que estas mulheres têm da sua saúde.

Roberta de Moraes Mazer (IC) – O retorno do emigrante: o fim do envio da remessa e a reordenação das relações

A pesquisa tem como tema a intensa migração existente no município de Governador Valadares. Essas pessoas buscam, através desse projeto familiar, obter uma melhora econômica significativa e a realização de sonhos. Mais especificamente, esse projeto analisa o retorno do migrante, o reencontro familiar, a realização (ou não) do projeto inicial e os frutos daquilo obtido através dessa experiência.

Victor Hugo Kebbe (Pós-Doutorado) – Quando os mortos chamam – Parentesco, Imigração e Religião vistos nas práticas da Yuta no Brasil No estudo das itako Ellen Schattschneider apresenta uma complexa relação entre parentesco, religiosidade, transmigração e cosmologia que coloca pelo parentesco o contato do mundo dos vivos com o mundo dos mortos em Tohoku, Japão. Verificamos que o xamanismo okinawano realizado pelas yuta – médiuns que atuam em Okinawa, Japão e Brasil – operam dentro de lógica similar ao unir dois planos bem distintos, tendo os mortos um papel fundamental e ativo na vida dos vivos. As yuta introduzem e ressignificam percepções de parentesco okinawano que liga os vivos com seus ancestrais, existindo a possibilidade de inflexão dos mortos sobre seus parentes. Falhas com o culto aos antepassados geram problemas de ordem estrutural na família, inclusive entre famílias de descendentes de okinawanos vivendo no Brasil que há muito já se dizem desprendidas da “cultura” e “tradição” okinawanas. Pretende-se com esta pesquisa estudar a prática das Yuta entre as famílias de descendentes de okinawanos na cidade de São Paulo, visando justamente compreender as maneiras como o parentesco é repensado dentro desta complexa relação entre imigração japonesa, parentesco e religiosidade. Status: em andamento.

Gil Vicente Lourenção (Doutorado) - O espírito japonês: atualizações, proximidades e distâncias para uma analítica da relacionalidade

Em minha pesquisa de mestrado, avaliei a esgrima japonesa enquanto um dispositivo de japonesidade, ou seja, uma máquina que buscava fabricar “japoneses” – fossem descendentes ou não. Neste processo de fabricação, o kendo focava três planos intimamente conectados: o espírito, a espada e o corpo. Enquanto desenvolvimento do projeto precedente, pesquisamos a posição do Ki – energia – na pesquisa de doutorado, visto que guarda as maiores potencialidades – teóricas e analíticas – para estudos de parentesco e família japonesas, incluindo processos de reconhecimento intra-inter-culturais. Status: em andamento.

Nadia Luna Kubota (Doutorado) – Okinawanos e não-okinawanos em Campo Grande/MS – Relações e Famílias

A partir da década de 1980, um novo movimento migratório iniciou-se no Brasil: o chamado “movimento dekassegui”, em que descendentes dos imigrantes japoneses no país, dirigiram-se à terra de seus antepassados, normalmente como trabalhadores em fábricas (no caso dos homens) e no trabalho doméstico (no caso das mulheres) buscando, em principio, o mesmo sonho que trouxe seus pais e avós ao Brasil. Em grande número de casos, foram sozinhos, ou como casais, deixando seus filhos com parentes, como avós e tios. A partir dessa “dissolução” familiar, muitos jovens foram aos poucos, criando novos laços de parentesco – “relacionalidades”, a partir da proposta de Janet Carsten – que consistem na identificação de então amigos (geralmente também filhos de “dekasseguis”), como “irmãos” e “primos”, visto que os avós e tios, nem sempre forneciam o modelo de parentesco que procuram ou necessitam. Verifica-se que algumas “famílias” que “ficam” (os filhos e eventualmente a mãe) acolhem esses novos membros como “seus”, satisfazendo suas necessidades enquanto familiares, exercendo de certa forma, o papel dos “parentes ausentes”. Nesse sentido, a presente pesquisa procurará analisar como se constroem essas novas famílias e “relações de parentesco” (relacionalidades) em Campo Grande-MS, e como as tradições japonesas podem interferir e influenciar nesse processo de re-configuração familiar. Status: em andamento.

Érica Rosa Hatugai (Doutorado) – O “mestiço” e suas composições. A mestiçagem entre nipônicos e não-nipônicos

Esta pesquisa objetiva etnografar os símbolos da mestiçagem de nipônicos e não-nipônicos a partir das teorias nativas desenvolvidas pelos “mestiços” e as famílias mistas,na cidade de Marília (SP). Entre os descendentes de japoneses no Brasil, “mestiço” é uma categoria nativa utilizada para designar os filhos das uniões de nipônicos com não-nipônicos. Comumente, o “mestiço” é entendido como uma composição de símbolos, tais como o “sangue japonês”, a corporalidade “mestiça”, os seus ditos modos “brasileiros” e seus domínios da “tradição japonesa”. Partindo desse modelo nativo de análise, pretende-se, então, compreender como as noções de corpo e substância participam na elaboração dessa pessoa “mestiça”. Por conta da bibliografia escassa sobre casamentos mistos e a mestiçagem na imigração japonesa no Brasil, objetiva-se analisar as concepções nativas acerca mestiçagem e os significados de ser “mestiço” para esses sujeitos e suas famílias. Status: em andamento.

Fábio Ricardo Ribeira (Mestrado)Sexy & Cool: O Exótico Domesticado

O trabalho procura desenvolver algumas reflexões sobre a construção da identidade sexuada dos nipo-descendentes homossexuais masculinos no Brasil, relacionando a questão homossexual à questão étnica, acreditando que este movimento possa ser produtivo à medida que revela uma homossexualidade marcada por uma “moral nipônica” e a construção de uma masculinidade que tenta ser operacionalizada entre chaves diversas, uma gay e outra étnica. Status: concluída

Yara Neusa Ngomane (mestrado)

Estudantes moçambicanos em Belo Horizonte: uma discussão sobre a construção identitária e das redes de sociabilidade

Pretende-se na presente pesquisa discutir de que maneira são construídos os processos identitários de estudantes moçambicanos estabelecidos em Belo Horizonte (nos últimos cinco anos) pelo programa de “Estudante Convênio” PEC-G. Quais mecanismos esses estudantes se apoderam para tecer suas redes de sociabilidade, para se definirem e para serem definidos em relação aos outros; quais práticas culturais são utilizadas ou descartadas por estes sujeitos a fim de manter uma distinção em relação aos outros (sejam estes estudantes brasileiros ou africanos de outra nacionalidade) e como conseguem manter os limites dessa distinção. Faz se necessário discutir este tema articulando-o com os conceitos como nacionalidade, etnicidade, raça e classe, pois, percebe-se que neste fluxo migratório, estes estão imbricados.